Lutero e o diabo

   Diz a história que o diabo, certa vez, veio a Lutero, trazendo na mão um rolo grande, escrito dos dois lados.

     "Que é isso?", perguntou-lhe Lutero. Ao que ele respondeu: "Isto é a lista dos seus pecados".

     Lutero examinou cuidadosamente o documento, e verificou que a acusação do demónio era a pura verdade. De facto, pecados de que ele se havia esquecido havia muito tempo estavam ali registados, e teve de admitir que era culpado dos mesmos.

     "Bem", respondeu Lutero, afinal; "e são somente estes?" "Oh, não!" exclamou a majestade satânica; "De modo nenhum. Há mais". Ao que lhe disse Lutero: "Vá e traga-os".

     Dentro de uns momentos voltou o diabo com outro rolo semelhante ao primeiro. E o grande reformador teve de reconhecer-se culpado novamente.

     "É só isso?", perguntou-lhe Lutero. "Não, há mais um", disse-lhe o diabo. "Então vá e traga-o também", ordenou Lutero.

     Logo voltou o demônio com um terceiro rolo, que Lutero examinou detidamente, e admitiu: "Sim, todos estes são pecados meus. Eu os cometi todos, um por um. Há, por acaso, outro rolo?" Ao que lhe respondeu o diabo que não havia.

     Então Lutero, sem dizer palavra, foi à mesa, tomou a caneta, mergulhou a pena no tinteiro de tinta vermelha, e, tomando os rolos, um a um, escreveu sobre eles triunfantemente, em diagonal, estas palavras: "O sangue de Jesus, Seu Filho nos purifica de todo pecado," l João 1.7.

     Com uma expressão de desapontamento e de raiva no rosto, o diabo virou-se e desapareceu.

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